sábado, 22 de abril de 2017

Natal branco



Quando é noite e me deparo
com as luzes disformes nas árvores e nas fachadas
vejo quão escuros estão os corações.
Não há nada que me apeteça...
O brilho frio das vitrines contrastam
com o fosco dos meus olhos
e os sorrisos que flutuam esbarram em minha tristeza.

Não gosto de receber o abraço daqueles que,
costumeiramente, não me abraçam,
mesmo que venham vestidos de comoção.
Fico indiferente...

Não quero a vaidade que me faz sentir a dor dos que nada tem,
nem quero a água nos olhos,
apenas pelos instantes exclusivos em que sinto
que a consciência me julga pelo meu egoísmo.

Quantos pratos estão vazios,
quantos são os abandonados e indigentes
com os quais nos deparamos no dia a dia
e fingimos que não os vemos?

Tivemos cinquenta e dois mil quinhentos e sessenta e nove minutos,
Três milhões, cento e cinquenta e quatro mil e cento e quarenta segundos
em trezentos e sessenta e cinco dias
e pouco ou nada fizemos pelo comum...

Todos os anos são assim,
difícil é não se entristecer.
Para não adoecer a minha alma,
recuso-me ao contágio de toda essa hipocrisia
e me recolho na tentativa de alcançar a luz
que, verdadeiramente, me faz refletir o que é o Natal.







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